Cyntia Medeiros, de 43 anos, mora em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, e há 13 ela e o marido adotaram Tiago. Próximo do Dia das Mães, que neste ano será celebrado no dia 8 de maio, ela contou ao g1 como essa decisão de se tornar mãe por meio da adoção aconteceu. Foi através do trabalho, quando ela menos esperava.

"Quando casamos, descobri uma questão biológica que me impedia, temporariamente, de engravidar, mas fiz um tratamento e tudo ficou bem. Trabalhava em município pequeno e fui convocada a encontrar uma família com perfil para adotar um bebê menino. Nas primeiras tentativas, não conseguimos encontrar alguém para adotar a criança, mas fui conhecer o bebê no hospital e nesse momento me senti extremamente motivada a adotar, meu coração batia forte", recordou.

Depois de verem o bebê pela primeira vez, o casal procurou o Conselho Tutelar e deu entrada no processo de adoção. No dia 31 de julho de 2008, Tiago foi entregue à família, o dia mais importante na vida de Cyntia.

"Tiago nasceu num dia e no outro já estava conosco. Eu tinha todos os medos, dúvidas e alegrias que toda mãe vive. Tudo vem junto e a gente fica alegre e confusa. Ele chorava, eu chorava, imaginava que ele sentia falta da mãe biológica", lembrou Cyntia.

"Contei com a ajuda de bons e experientes amigos e aos poucos fui compreendendo que afeto também requer construção, apoio. O que eu vivia acontecia com toda mãe. Nosso amor e sintonia eram muito grande, sempre foi", disse.

Ela nunca escondeu do filho que ele havia sido adotado, mas sempre deixou claro que isso não fazia diferença: ela é a mãe, independentemente de qualquer coisa. "À medida em que ele foi crescendo, foi perguntando e fomos contando de acordo com o que ele desejava saber. Isso foi sempre tranquilo para nós. Ele sabe de todo o processo, inclusive, que se um dia desejar conhecer sua família biológica poderá contar com o nosso apoio. Essa é sua história e jamais vamos esconder", disse a mãe de Tiago.

"Eu diria que todo filho precisa ser adotado, precisa ser aceito e amado. Eles são filhos e nós somos mães. Na nossa história não há filho do coração e nem mãe da barriga, somos mãe e filho como todos os outros, o amor é o mesmo e faz parte de uma construção social. Quantas formas de amar cabe em nossos corações? A maternidade não se limita a uma questão biológica, me fez uma pessoa melhor, me faz todos os dias ter vontade de deixar um mundo melhor para meu filho", finalizou.

G1 Caruaru