Dois moradores do Recife denunciaram terem sido agredidos por policiais militares na madrugada do sábado (18), no Pátio do Forró, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Imagens enviadas ao WhatsApp da TV Globo mostram Murilo de Paula, de 32 anos, com o rosto sangrando e dizendo que apanhou de PMs, e Felipe de Paula, de 30 anos, sendo agredido e intimidado por policiais.

As gravações também mostram quando uma tenente que comandava a equipe de policiais manda levarem Murilo, mesmo ferido, para o posto de comando da Polícia Militar após ele afirmar que apanhou por causa dela. Durante a discussão, um PM dá um soco no peito de Felipe e, um pouco depois, outro policial o empurra.

Murilo e Felipe, que são primos, registraram um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Plantão de Caruaru. Eles também prestaram queixa contra os policiais na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS).

A Corregedoria disse, em nota, que "os fatos serão investigados com rigor de modo a esclarecer todas as circunstâncias dessa ocorrência" (confira a íntegra da resposta no final desta reportagem). Contra Murilo, foi elaborado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desacato.

A assistente administrativa Deborah Bezerra, de 28 anos, é esposa de Felipe e contou que as agressões aconteceram ao final do show do cantor pernambucano João Gomes. Quando a apresentação acabou, os dois primos decidiram ir ao banheiro e sentaram ao lado de um praticável da PM.

"Foi quando a tenente chegou perto deles gritando para saírem e um sargento deu dois golpes, um na cabeça e outro no rosto de Murilo. De repente, ninguém esperava que isso ia acontecer. Eles chegaram onde a gente estava daquele jeito e a gente foi até lá para entender o que aconteceu'", contou Deborah.

LEIA TAMBÉM:

Ainda de acordo com a assistente administrativa, quando eles voltaram para entender o que aconteceu, a tenente decidiu levá-los para o posto de comando, mesmo sem Murilo ter recebido atendimento médico. Nesse momento, ocorreram as agressões que foram registradas em vídeo.

"Murilo desmaiou duas vezes, mijou nas calças e ficou desnorteado. Meu marido foi chutado, bateram com o cassetete nele, xingaram e ameaçaram. A gente saiu do local e ele mal falava, com medo. Nem no BO, ele quis falar, com medo. A gente está traumatizado. Quando durmo, eu sonho. E, quando acordo, só penso nisso", declarou.

Ela também disse que, quando chegaram ao Pátio do Forró e viram que tinham muitos policiais no local, todos ficaram animados, pois achavam que o policiamento reforçado daria segurança para o público aproveitar a festa.

"Quando a gente chegou lá e viu que tinham vários policiais, a gente pensou: 'que coisa boa'. A gente espera segurança da polícia e acontece isso com o cidadão por motivo nenhum. Na hora de voltar, a gente foi morrendo de medo por conta das ameaças. A gente quer que seja feita justiça, que tomem as providências legais porque isso pode acontecer com qualquer pessoa", afirmou.

Resposta

O g1 procurou a SDS, a Polícia Civil e a Polícia Militar para saber sobre o registro do caso e que providências foram adotadas após o registro dessa denúncia.

Por meio de nota, a Corregedoria Geral da SDS afirmou que estava com uma equipe no Pátio de Eventos de Caruaru e que, após receber a denúncia dessa ocorrência, "instaurou Investigação Preliminar para a apurar os fatos com rigor e celeridade".

Também disse que a Polícia Civil, que estava presente com uma unidade móvel no local do evento, "recebeu a queixa envolvendo uma das pessoas citadas, um homem de 33 anos, e adotou as providências de Polícia Judiciária". Ainda segundo a Corregedoria, "o acompanhante não prosseguiu com a denúncia".

Na nota, o órgão declarou que "policiais militares de serviço no Pátio de Eventos prenderam um homem por desacato, após o mesmo não atender ordem da comandante de policiamento e partir para cima da policial, sendo contido e conduzido pelo efetivo à delegacia de Polícia Civil, para adoção das medidas legais cabíveis".

G1 Caruaru