Ao longo do tempo, pessoas se diferenciam pelo jeito de ser, agregando valor a elas mesmas. E assim, à medida que o valor aumenta, se tornam referências, se tornam queridas. Uma dessas pessoas foi o jornalista e colunista social Marcolino Júnior, cuja perda deixou saudade.

Marcolino escreveu uma história marcante no colunismo social de Pernambuco. Na TV Asa Branca, foi uma jornada de mais de uma década. Sempre à frente dos registros dos principais eventos e acontecimentos da sociedade de Caruaru e região. Uma das parceiras dele foi a também colunista social Jaciara Fernandes.

"Arrancaram dele a vida, uma violência brutal, inaceitável. Eu vi Marcolino nascer enquanto profissional, eu acompanhei, eu também era auxiliar de Marcolino. Marcolino sempre me consultava", recordou Jaciara.

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O jornalista e colunista social foi assassinado em abril de 2016 - há seis anos. Nas últimas horas de vida, ele aparece em um supermercado. As imagens da câmera de segurança também o mostraram em uma pousada da cidade. Marcolino foi visto pela última vez com vida no sábado, 16 de abril. As pessoas mais próximas a ele estranharam quando Marcolino não respondeu mensagens e nem atendeu ao celular.

O corpo de Marcolino Júnior foi encontrado somente na segunda-feira, 18 de abril, na área rural do município de Sairé, com marcas e 3 perfurações de faca. Diante da perversidade, da indiferença, seca, da violência, que tirou Marcolino Júnior da convivência de familiares, amigos e colegas, as esperanças na Justiça se tornam óbvias e necessárias. Afinal, quem orquestrou o crime? Quem, de fato, o praticou? Quem teria uma mente tão terrível para fazer sumir o sorriso de Marcolino?

As investigações levaram a polícia até o designer gráfico Rafael Leite da Silva, que foi preso como autor do crime. Ele tentava vender o carro de Marcolino no Centro de Caruaru. De acordo com o inquérito, o crime foi em um motel. Rafael deu um golpe de jiu-jítsu, que deixou o jornalista desacordado. Em seguida, efetuou os golpes de faca. Rafael ainda dirigiu o veículo de Marcolino, tendo colocado o corpo dele no porta-malas.

Pelos depoimentos do autor do crime, a polícia localizou Davi Fernando Ferreira, que era assessor pessoal de Marcolino, e que tinha acesso à contabilidade do jornalista e colunista social. Ali, para a polícia, Davi era mandante. Ele ficou preso por quase 5 meses, mas foi solto: a defesa alegou que era réu primário, de boa conduta, trabalhador e com residência fixa. No entanto, Rafael foi condenado em 2017 a 30 anos e 5 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado. O julgamento durou 15 horas.

Confira a reportagem completa:

*Esta é a segunda reportagem da série "Vidas Interrompidas", do AB2, que contou com imagens de Robson Santos e Artur Oliveira, produção de Everton Freitas e apoio técnico de Abelardson Alves.

G1 Caruaru